Tendas e Clãs do Sul | Quem Somos
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Quem somos

“um dia haverá meninas e mulheres cujos nomes
significarão mais do que o oposto do que é masculino;
significarão algo em si, que nos faça pensar não em
alguma forma de complemento ou limite, mas, sim, apenas
em vida e existência: o ser humano feminino”,
Rainer Maria Rilke

As Tendas e Clãs do Sul são, acima de tudo, uma comunidade de mulheres diversas, que escolhem caminhar juntas tecendo sonhos e nutrindo afetos. É uma rede que cresce a cada ano, se entrelaçando entre territórios rurais e urbanos, entre mares e montanhas, tendo a irmandade como estrela guia. É um espaço em que aprendemos a amar e ser amadas, por todas nossas relações, com entrega e confiança.

 

Em um mundo tão efêmero, onde somos arrebatadas por demandas e rotinas, as Tendas e Clãs do Sul surgem a partir de um profundo desejo de se descobrir: o que significa ser mulher? Em nossos tempos modernos, muitas práticas ancestrais que auxiliavam no fortalecimento dos tecidos sociais se perderam, deixando muitas de nós desamparadas e sem referências de como florescer como mulheres. Outras receberam referências pouco salutares, que, ao invés de encorajar a expressão livre e integra de seu ser, criaram prisões que reforçam padrões obsoletos e limitados.

 

Foi com intuito de romper com essas amaras e criar um espaço seguro para a descoberta, que um grupo de mulheres amigas começou a se encontrar de forma sistemática. Foi um movimento fluido e altamente experimental, em que cada uma ousou ser mulher entre mulheres. Assim, foi se consolidando uma egrégora de conexão intima e sagrada entre filhas, irmãs, mães, avós e amigas. Esses sentimentos de partilha, irmandade, ousadia e pertencimento seguem guiando essa jornada que completa mais de 20 anos. A cada ano novas mulheres chegam; nossos laços se fortaleçam e renovam nessa jornada. Aquelas que vieram antes acolhem e guiam as novas gerações; estas, por sua vez, revigoram a certeza de, juntas, vamos mais longe.

Origens

1993

De forma mais pontual, nossa história começa em 1993 com a Lúcia D. Torres, uma jovem mãe, astróloga e instrutora de yoga, sedenta por conexões mais profundas. Após participar de um workshop chamado “Em busca do resgate da identidade feminina”, Lúcia se sentiu extremamente provocada pelo que vivenciou. A atividade facilitada por May East, era baseada em um mapa transcultural de arquétipos humanos relacionados aos elementos da natureza, desenvolvido pela antropóloga norte-americana Angeles Arrien. Esse mapa transcultural é apresentado no livro “O caminho quádruplo” em que Arrien traz síntese de seus estudos com tradições xamânicas e comunidades indígenas, oferecendo um instrumento de autoconhecimento que encoraja as pessoas a irem de encontro ao seu coração e à alma.

1994

Inspirada por estes conhecimentos, Lúcia contagiou com o seu entusiasmo amigas e alunas que faziam parte dos seus círculos. Assim, ao longo de 1994, foi sonhado cada ponto do trabalho que ela nomeou na época de “Círculo Feminino Tenda da Lua”. A partir daí, iniciaram os encontros mensais na Lua Nova, reunindo mulheres interessadas em vivenciar diferentes papéis e facetas do feminino a partir de correlações com a mitologia greco-romana e os arquétipos astrológicos. Quando foi lançado, este trabalho era totalmente original, criando uma metodologia vivencial e arquetípica, complementada por canções transculturais e práticas ritualísticas de conexão com os quatro portais.

1995

Em março de 1995, foi feito o primeiro encontro aberto, onde algumas mulheres levaram suas filhas e amigas para conhecer a proposta de trabalho. Deste encontro, surgiu o embrião do “Tenda da Terra”. Os encontros abertos continuaram a ser mantidos, mas, cada vez mais, surgiam pedidos de se viabilizar a entrada de mais pessoas no círculo, o que era difícil, pois ele já tinha um ritmo e uma trajetória… Buscando dar conta desses pedidos, em 30 de junho de 1995, Lúcia cria o “Círculo Feminino Tenda da Terra”, um grupo de iniciação aos trabalhos do Tenda da Lua. Assim, completou-se o ciclo inicial: as mulheres que cumpriam sua jornada na Tenda da Terra e vivenciavam o ritual de passagem final, poderiam, se quisessem, continuar sua jornada no Tenda da Lua, que exigia mais comprometimento e afinidade com uma proposta espiritual e de serviço planetário. As mulheres do Tenda da Lua, por sua vez, criaram um ritual de passagem e de acolhimento às novas integrantes egressas do Tenda da Terra e se estabeleceu uma linhagem de madrinhas e afilhadas ao longo de quatro anos. Foi redigida uma carta de princípios alinhadores dos propósitos do grupo que sempre é lida em dois momentos: na comemoração do nosso aniversário quando confirmamos nossa presença por mais um ciclo (ou nos despedimos do grupo), e no encontro de recepção das novas integrantes.

1999...

Com o crescimento dos círculos e a necessidade de redimensionar sua estrutura, em 1999, optamos por não ter mais o vínculo “madrinha-afilhada”, mas as mulheres mais velhas continuaram recebendo as mais novas com o mesmo ritual que foi criado pela primeira vez (ritual de acolhida). E, durante o ano, promovemos algumas atividades que permitem que todas as mulheres, das várias gerações, possam se encontrar novamente. Devido à demanda cada vez mais intensa de mulheres interessadas em participar dos círculos, criou-se um curso de formação de facilitadoras que credencia aquelas que sentem afinidade com o oitavo propósito que norteia a nossa ética grupal: “Honrar o serviço planetário de se tornar agente multiplicador; liderando grupos femininos onde os propósitos sejam semelhantes a estes ou trabalhando pela multiplicação de consciências”.

Durante todos estes anos, vivemos muitos momentos importantes de descobertas, de alegrias, de sucessos, de conquistas, de partilha, de comunhão - celebramos aniversários, formaturas, exposições de artes, bebês nascendo, casamentos, reconciliações com namorados, com filhos, filhas menstruando, mulheres voltando a menstruar. Tecemos rituais, xales, sonhos, sacolas de talismãs e rodas de cura. E como a Vida pulsa completa e intensamente em nossas veias, corações e úteros, ao lado das bênçãos tivemos as dores e seus ensinamentos, presentes em todos os momentos difíceis que andam junto a elas: irmãs que foram morar em outros estados, irmãs que desistiram da jornada e, pelos mais diversos motivos, se desligaram do grupo, irmãs que sofreram perdas e rompimentos (de companheiros e de casamentos, de bebês que estavam sendo gestados, de seus sonhos mais íntimos) , que lidaram com longos períodos de doenças e cirurgias (pessoais e familiares), que se surpreenderam, sofreram e se preocuparam muito com as escolhas que os filhos fizeram…

Ao longo deste tempo, teceu-se verdadeiramente um espírito de clã inspirado pelo sagrado que reverenciamos dentro e fora de nós e, mais do que um simples grupo, hoje somos uma irmandade, um círculo, pois são nítidos os laços de amor, amizade e respeito que nos unem e nos protegem. Temos a certeza de que tudo aconteceu como aconteceu (e vem acontecendo ainda) porque estamos respondendo a um imperativo cósmico de mudança individual, social e planetária. Porque ressoa no nosso coração este apelo que vem tanto da Terra como do Céu e porque tivemos a coragem de “nos tornarmos as nossas visões”. Materializamos os nossos sonhos de cura por acreditarmos, primeiro e, acima de qualquer coisa, no Amor como a expressão original e última da razão de tudo e de todos existirmos nestes espaços-tempos que nos couberam enquanto humanidade.

Nossa História